10 de junho de 2008

how to lose your mind in 18 years

O sufoco toma o meu corpo e de repente apercebo-me…
Vejo-me à deriva, em águas lentas e mortíferas - e nunca procurei chegar a terra… agora percebo de que nada fiz para me salvar da negatividade que tanto me atraiu.

Ah, que areias movediças foram estas para onde me atirei de bom grado?, e agora só desejo que alguém me salve da estupidez de vida em que me enfiei…
Como pude deixar-me levar sempre pelo que os outros querem, como pude ignorar sempre as minhas necessidades apenas para me proteger de um monstro inexistente? E agora, que faço quando já nenhuma possibilidade luta me resta, quando parece que o ciclo da felicidade se fechou para mim há muito tempo?
De que me servem os meus sonhos se esta cabeça desregulada não me deixa cumpri-los? Serão uma espécie de objecto de tortura, alguma brincadeira sádica da minha própria mente? Se assim é, seria preferível nem sonhar, para que o fosso entre o desejo e a dura realidade não fosse tão cruel…

29 de maio de 2008

Somebody worth writing for...

E ela ali ficou, destinada a si mesma, aos seus próprios defeitos e aos de mais ninguém, sem um fim à vista em função de alguém.

Sorri, convive, brinca. Tudo parece fácil, quando os amigos nos protegem daquilo que tememos.

Mas um simples olhar, para ela, é multiplicado por mil, e por vezes tem muito menos significado, é muito menos profundo do que ela vê. Porquê? Ela nunca soubera responder a isso, nunca entendera a razão para tal ansiedade face a um simples e efémero olhar.

Enfim, os seus olhos vêem, por vezes, o que não devem, ou até o que não existe. Olhos complicados, estes. Ela sente coisas que os outros não transmitem, sentimentos inexistentes.
Para ela é tão crucial saber o que os outros pensam e sentem, que acaba por se perder nas suas especulações. Ela já não sabe o que é ou não real, sem saber avaliar as suas acções, sem saber se a atitude de alguém foi resultado do seu próprio comportamento, sem perceber quem erro.

Qualquer coisa entre o cérebro e a alma se desliga, uma ligação entre pensamentos e acções é quebrada, e por vezes uns não coincidem com os outros, numa incoerência de ser.

Esta imperfeição já não tem graça, porque existem imperfeições deliciosas, mas ela precisa de outras para além das dela. Se é que alguma vez foi fácil conviver com a pessoa non-sense que nela habita, agora pouco de si ainda faz sentido.


God, bring me somebody complicated, besides me...

Give me something or somebody worth writing for xD

17 de maio de 2008

Sonho de um amanhã

Tudo isto é sufoco, e esta vida uma areia movediça da qual só me posso libertar agora. Pouco falta para poder rasgar o cenário deste teatro do ridículo e soltar-me da minha personagem da cordialidade, do “fingir-que-está-tudo-óptimo”. Afinal todo o enredo é absurdo, e a minha existência neste espaço já não tem sentido.

Não pertenço aqui, e talvez nunca tenha pertencido, talvez os momentos em que me senti parte integrante deste local foram apenas fruto da minha ingénua imaginação. Partilho com outras pessoas o nervosismo pela revolução que se vai dar nas nossas vidas, mas também a felicidade de ver, cada vez mais próximo, o fim das falsidades ridículas, dos conflitos fúteis, da infantilidade cruel de tantos a quem falo por obrigação.

Suspiro, sonhadoramente, com o pensamento sempre presente de que o final de tudo isto está perto. Este sentimento entranha-se no meu peito cansado - cansado do aqui e do agora. Só ele me tem mantido de queixo levantado, só ele me dá esperança e força para estes últimos tempos em que tenho de guardar muitas verdades duras e difíceis de ignorar.

Do presente já nada me atrai, do passado já vi que pouca coisa faz sentido. Preciso, sim, de um amanhã sem conhecidos forçados ou mesquinhices que finjo não ouvir; um amanhã em que me depare com o desconhecido fantástico e com a honestidade de quem nada precisa de esconder.

4 de maio de 2008

take this broken wings and learn to fly

espero que me leves daqui, relógio da vida, para que outros lugares preencham o vazio da monotonia de viver nesta gaiola.
leva-me daqui, tu que passas tão assustadoramente rápido, para que pelo menos outras caras passem a ser conhecidas, para que o meu espaço se alargue a uma liberdade de movimentos e de ser que nunca antes tive.

corre, se é o que tens a fazer, desde que daqui me leves para onde a rotina não existe, para onde a variedade de rostos e almas me deixe respirar e conhecer outros eus.

arrasta-me, ao teu ritmo vertiginoso, para onde não me julguem pelo que sou, para onde me aceitem mesmo que não vista ou seja do mais in do momento.

não páres, se esse é o teu papel, e assim terei coragem para enfrentar novos mundos e pessoas, esquecendo aquelas que nunca deveriam ter passado pela minha vida. Outras virão, certamente melhores que essas desilusões destruidoras da minha antiga ingenuidade e inocência feliz.

se o teu papel é de facto removeres de mim a inocência, então fá-lo de uma vez, porque de nada me serve se estou rodeada de maldade e conflitos e falsos amigos.

leva-me, porque quero deixar este local que já me cansa, as pessoas que já não me interessam e nada têm de novo ou de bom para dar - salvo raras excepções, pois sei quem me marcou e marcará para onde quer que vá.

se o que tens para dar são tempestades, se só me trarás intempéries, então que seja... porque é assim que dou o melhor de mim, é assim que poderei acreditar finalmente no que sou e no que posso vir a ser.

se de facto não voltas atrás, nem a tua velocidade abranda, deixa-te fluir. Envolve-me nos teus ventos de mudança, porque esses são sempre bons: com eles virá gente diferente e menos previsível, novas experiências e mais oportunidades de ser eu mesma.


Eu própria empurrarei as tuas engrenagens, se só com mudança posso ser feliz!

16 de abril de 2008

Só mais um dia mau


Deixa-me ser assim, sem querer o palpável, sem ansiar pelo físico.
Não quero a dor da realidade, não quero descobrir mais maldade no mundo. Só quero ficar aqui, dentro desta bolha que me protege do frio de me magoarem e que me permite sonhar ininterruptamente. Deixa-me ficar aqui, porque não quero mais conflitos, mais dor, mais nada.

Deixa-me desejar o platónico, o que não é alcançável - mesmo que o seja não quero maçar-me a tentar. Às vezes, tentar dói muito, sentir baralha-me demais. Quero parar para pensar, quero sonhar com um “se”, e não confrontar-me com os factos. Deixa-me apreciar a protecção que me resta de uma batalha que vou ter comigo mesma, para o resto da minha vida.

Por uma vez, quero descansar dos desgostos do quotidiano, quero hibernar e sonhar com absurdos que nunca se concretizarão. Pouco me resta do que havia de utópico em mim, por isso deixa-me aproveitá-lo. Quero ficar aqui, só mais um pouco, no meu mundo de impossíveis felicidades e falsas eternidades.

Não, não quero absorver mais emoções contraditórias, não quero esse ridículo «stress cosmopolita», só quero sentir que posso ser o que eu quiser, onde quiser, sem contagem do tempo, sem minutos nem horas. Quero despojar-me de toda o negativismo diário, de tudo o que sem querer me é transmitido pelos outros e apenas me inquieta e atormenta.

Nada no real me atrai: só de vez em quando as minhas gargalhadas são genuínas. Tudo é forçado, todos são calculistas, desiludo-me com a imperfeição dos outros, mas sobretudo com a minha. Por isso não quero expectativas irrisórias, esperanças em vão – oh, estou tão farta de ter esperança em vão. Só quero é desejar o que não pode vir a ser, vivendo num «mundo- holograma» em que eu escrevo o argumento.

Deixa que eu me agarre a quem me quero agarrar, sem medos nem a amarga frieza pelo que já vivi no passado.
E se o passado se apagasse de mim, levando com ele todos os meus medos?
E se o receio do futuro e do próprio presente me abandonasse, sem que eu desse conta, numa destas manhãs, ao acordar?
Ahhh... chega de “ses”. É só mais um dia mau.



(If I'd only knew)

Days were slipping past

That the good things would never last

That you were crying

(...)

When your world's crashing down

And you can't bear the thought

I said baby you're not lost


Lost

descansar de mim

divagações de quem teme um futuro sombrio,
medo de ser e de sentir, medo de não sentir o suficiente, medo de recear por temer o que não deveria ser assustador,
contradições de quem pensa demais e muito pouco consegue transmitir,
lamentações de quem muito chora por dentro ainda que use o riso como disfarce,
devaneios sobre tudo e nada,

...como se tudo fosse pensável, como se tudo merecesse a minha atenção e cuidado... que se lixem todos estes pensamentos inúteis!

às vezes fico simplesmente farta de levar a vida desta forma tão séria...
só sinto o pesar dos meus pensamentos e preocupações sobre os meus ombros...
e só peço a esta consciência (ou o que lhe quiserem chamar) que me dê algum descanso, apenas uns momentos de paz comigo mesma e com o que sou...


13 de Abril

1 de abril de 2008

these silly automatic feelings


Inundando a minha mente de águas passadas e reminiscências de utopias

afogando-me em sonhos absurdos e imagens mentais inverosímeis

instalando em mim o entusiasmo por existires, pelo teu simples olhar e fugaz presença

abalando os meus alicerces teatrais de segurança fingida e altivez estudada

fazendo tremer o meu corpo e alterando a minha voz até ao ridículo da histeria

provocando este atrofio e confusão hormonal de sensações efémeras e infundadas

causando um turbilhão de sinestesia e paixão sem razão, por alguém que nem bem conheço mas que nunca me foi indiferente... porquê ??