24 de agosto de 2008

Sometimes you have to walk away

prefiro não estar aqui, porque é bem mais doloroso saber que estás perto de mim e ainda assim não conseguir alcançar-te, fazer com que me ouças e percebas o que estou a sentir. e mesmo que eu não saiba sequer o que sinto ou deixo de sentir, gostava de o expressar, de te dizer que estou confusa, que não ultrapassei o que deveria ter sido encarado com leveza.

graças a quem for, não estarei aqui por agora, e estes pensamentos inúteis possivelmente não me deixarão tão em baixo, tão mais confusa do que se não pensasse... depois de poucos dias de descanso e alguma paz, espero estar mais segura do que sinto, mais certa do que farei ou não para resolver este impasse.

22 de agosto de 2008

rollercoaster

O teu silêncio, a minha angústia e incerteza.
A tua inércia, a minha irritação e tormento.
A tua insensibilidade, a minha dor.
A tua incapacidade de assumir, a minha incapacidade de o entender.
A tua infantilidade, a minha impaciência.
A tua ausência, o meu desconforto permanente.

E talvez nem a tua presença me dê paz…
Talvez ela nunca tenha sido sinónimo de paz para mim...
E só agora acordo para essa realidade que sempre quis negar.


«Set me free,
Leave me be,
I don't want to fall another moment into your gravity...»

13 de julho de 2008

stop this train


"stop this train", I thought, just as it appears in John Mayer's melancholic song. But this thought was not due to a trouble about the time passing by...

no, this sentence crossed my mind because in that train there was an unreachable, impossible desire that had been asleep for three days. As that third day ended, he was there, right there in front of me. And once again, my body had no ability at all to move.

Was this a cruel destiny's trick? Or maybe a gift from destiny itself, that I didn't have the guts to take?

8 de julho de 2008

Anjo no céu

Numa deambulação por esta Terra, levanto a cabeça e fecho os olhos, porque um anjo subiu aos céus. Pois se és um anjo, deve ser aí que pertences… tem de ser esse o lugar onde encontrarás o caminho da felicidade, a estrada do descanso eterno. Uma dura luta foi travada, e agora apenas restam aqui cinzas… cinzas do que foi, restos de um passado nem sempre feliz.

Acredito plenamente na tua felicidade “aí”, onde quer que estejas. Cada qual acredita no que quiser, e eu acredito numa coisa: vale a pena teres aqui estado, pelo que me ensinaste, mesmo sem querer, e pelo que nos deste em tempos. O que nos tiraste? Talvez uma parte de nós, um pedaço vital do nosso ser, uma gentil brisa que só tu poderias ter sido em vida.

E o ar que nos resta tem de ser suficiente, e as imagens do que eras em menino e adolescente têm de se sobrepor à dor. Nunca esquecerei as memórias de quando víamos o Rei Leão, eu ainda pequena, tu já uma promessa de grande futuro, rindo a bandeiras despregadas da dupla mais imprevisivelmente perfeita e deliciosa dos filmes da Disney. Há tantos anos atrás, comigo, conseguias ser sempre um miúdo nestas brincadeiras… e são essas alturas que me ficam, sinceramente, porque o resto, nos últimos anos, não eras tu, mas sim aquela coisa horrível que tomou conta de ti.

O que eras tu, não é tão fácil de explicar. Eras e sempre serás algo maior do que eu alguma vez poderei ser, alguém tão mais risonho, extrovertido e amável que não consigo compreender. É também isso que quero aprender contigo, para cravar estas imagens no meu ser e ter-te como guia durante a minha vida, como uma luz insistente que nunca deixarei de seguir.

10 de junho de 2008

how to lose your mind in 18 years

O sufoco toma o meu corpo e de repente apercebo-me…
Vejo-me à deriva, em águas lentas e mortíferas - e nunca procurei chegar a terra… agora percebo de que nada fiz para me salvar da negatividade que tanto me atraiu.

Ah, que areias movediças foram estas para onde me atirei de bom grado?, e agora só desejo que alguém me salve da estupidez de vida em que me enfiei…
Como pude deixar-me levar sempre pelo que os outros querem, como pude ignorar sempre as minhas necessidades apenas para me proteger de um monstro inexistente? E agora, que faço quando já nenhuma possibilidade luta me resta, quando parece que o ciclo da felicidade se fechou para mim há muito tempo?
De que me servem os meus sonhos se esta cabeça desregulada não me deixa cumpri-los? Serão uma espécie de objecto de tortura, alguma brincadeira sádica da minha própria mente? Se assim é, seria preferível nem sonhar, para que o fosso entre o desejo e a dura realidade não fosse tão cruel…

29 de maio de 2008

Somebody worth writing for...

E ela ali ficou, destinada a si mesma, aos seus próprios defeitos e aos de mais ninguém, sem um fim à vista em função de alguém.

Sorri, convive, brinca. Tudo parece fácil, quando os amigos nos protegem daquilo que tememos.

Mas um simples olhar, para ela, é multiplicado por mil, e por vezes tem muito menos significado, é muito menos profundo do que ela vê. Porquê? Ela nunca soubera responder a isso, nunca entendera a razão para tal ansiedade face a um simples e efémero olhar.

Enfim, os seus olhos vêem, por vezes, o que não devem, ou até o que não existe. Olhos complicados, estes. Ela sente coisas que os outros não transmitem, sentimentos inexistentes.
Para ela é tão crucial saber o que os outros pensam e sentem, que acaba por se perder nas suas especulações. Ela já não sabe o que é ou não real, sem saber avaliar as suas acções, sem saber se a atitude de alguém foi resultado do seu próprio comportamento, sem perceber quem erro.

Qualquer coisa entre o cérebro e a alma se desliga, uma ligação entre pensamentos e acções é quebrada, e por vezes uns não coincidem com os outros, numa incoerência de ser.

Esta imperfeição já não tem graça, porque existem imperfeições deliciosas, mas ela precisa de outras para além das dela. Se é que alguma vez foi fácil conviver com a pessoa non-sense que nela habita, agora pouco de si ainda faz sentido.


God, bring me somebody complicated, besides me...

Give me something or somebody worth writing for xD

17 de maio de 2008

Sonho de um amanhã

Tudo isto é sufoco, e esta vida uma areia movediça da qual só me posso libertar agora. Pouco falta para poder rasgar o cenário deste teatro do ridículo e soltar-me da minha personagem da cordialidade, do “fingir-que-está-tudo-óptimo”. Afinal todo o enredo é absurdo, e a minha existência neste espaço já não tem sentido.

Não pertenço aqui, e talvez nunca tenha pertencido, talvez os momentos em que me senti parte integrante deste local foram apenas fruto da minha ingénua imaginação. Partilho com outras pessoas o nervosismo pela revolução que se vai dar nas nossas vidas, mas também a felicidade de ver, cada vez mais próximo, o fim das falsidades ridículas, dos conflitos fúteis, da infantilidade cruel de tantos a quem falo por obrigação.

Suspiro, sonhadoramente, com o pensamento sempre presente de que o final de tudo isto está perto. Este sentimento entranha-se no meu peito cansado - cansado do aqui e do agora. Só ele me tem mantido de queixo levantado, só ele me dá esperança e força para estes últimos tempos em que tenho de guardar muitas verdades duras e difíceis de ignorar.

Do presente já nada me atrai, do passado já vi que pouca coisa faz sentido. Preciso, sim, de um amanhã sem conhecidos forçados ou mesquinhices que finjo não ouvir; um amanhã em que me depare com o desconhecido fantástico e com a honestidade de quem nada precisa de esconder.